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| Manejo Florestal Comunitário |
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| Thursday, 27 March 2008 23:53 |
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Em 2003, após a conclusão do Diagnóstico Etnoambiental Participativo a Associação de Defesa Etnoambiental – Kanindé em consonância com a comunidade local iniciou as atividades de Manejo Florestal Comunitário (MFC) com foco na produção de produtos florestais não madeireiros na Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, Rondônia. A idéia inicial do Manejo Florestal Comunitário foi criar uma nova alternativa de renda sustentável além das já existentes como farinha e outros cultivos agrícolas, obtidos através de produtos existentes na floresta e coletados/extraídos de forma sustentável e em conformidade com as mais altas normas de impacto ambiental sempre observando e respeitando a cultura das populações tradicionais indígenas que habitam imemorialmente este ecossistema. Inicialmente, em comum acordo com os índios, iniciou-se os trabalhos com as espécies vegetais Copaifera spp. (Copaíba), Protium sp. (Breu), Orbignya speciosa (Babaçu), Euterpes precatoria (Açaí solteiro) e Bertholletia excelsa (Castanheira). Após as etapas de definição das áreas de manejo, inventário florestal e elaboração do Plano de Manejo Florestal Comunitário, foi iniciada a implementação do projeto em campo, com enfoque inicial para a espécie copaíba. As aldeias inicialmente contempladas pelo projeto na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau foram Alto Jamari e Jamari, onde vivem as comunidades indígenas da etnia Jupau, tronco tupi Kawahib. As dimensões das áreas de manejo nestas duas aldeias são de 20.105,7024 ha e 11.309,4576 ha, respectivamente. Na mesma Terra Indígena o projeto foi expandido para a aldeia São Luis, onde vivem as populações da etnia Oro Towati, também do tronco tupi. A área de manejo florestal nesta aldeia foi de 18.000,00 ha e o acesso na maior parte do projeto se dá por via fluvial.
Um ano após a execução do projeto de MFC na T.I Uru-Eu-Wau-Wau, índios da T.I Igarapé Lourdes solicitaram à Kanindé para replicar o Manejo Florestal Comunitário em suas florestas, tendo em vista que a experiência do manejo dos produtos florestais não madeireiros havia dado certo com os índios Uru-Eu-Wau-Wau. Seguindo o mesmo procedimento e metodologia adotada na T.I Uru-Eu-Wau-Wau, e após a conclusão do Diagnóstico Etnoambiental na T.I Igarapé Lourdes foram então traçadas as diretrizes do projeto de Gestão Ambiental naquela T.I., foi dado início aos trabalhos de campo para definição das áreas de manejo florestal, inventário florestal, elaboração de projeto e implementação nas aldeias Iterap, Paigap, onde vivem os índios da etnia Karo e nas aldeias Igarapé Lourdes e Ikolen, onde vivem os índios da etnia Ikolen. As áreas de manejo florestal em cada aldeia foram inicialmente dimensionadas em 10.000 ha. Vários indígenas foram treinados e capacitados para o manejo com a espécie copaíba. Após longo período de capacitação e treinamento nas aldeias envolvidas foi dado início ao primeiro ciclo bianual de produção, ou seja, somente após dois anos é que se pode voltar a extrair óleo da mesma árvore, evitando assim problemas fisiológicos na planta e enfraquecimento da mesma tornando-a vulnerável ao ataque de pragas. A partir de em 2006, através da contratação de um consultor de mercado fruto de uma parceria entre a Kanindé e o WWF Brasil, foram mapeadas várias empresas de diversos nichos de mercados. A partir de então iniciou-se a parceria comercial empresas/comunidade com alto grau de responsabilidade ambiental e sócio econômica. Já em 2006 essas empresas compraram 832 kg de óleo de copaíba produzidos na T.I Igarapé Lourdes e na T.I Uru-Eu-Wau-Wau, dando um rendimento econômico de mais de R$ 20.000,00 para estas comunidades. Para a safra 2007/2008 as parcerias comerciais estão se estendo para um volume ainda maior da produção do óleo de copaíba e viabilizando novas cadeias produtivas como: babaçu, breu, buriti, castanha do Brasil e arte indígena. Essas novas demandas estão permitindo a abertura de novas áreas de produção e a inclusão de novas famílias de produtores. Atualmente 50 famílias estão sendo beneficiadas com os trabalhos. Em 2.007 o projeto que envolve todo o trabalho do Manejo de Copaíba na Terra Indígena Uru Eu Wau Wau recebeu o prêmio Culturas Indígenas – Edição Ângelo Cretã do Ministério da Cultura.
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