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Líder Indígena Almir Suruí discursa na Assembléia Geral da ONU

Chefes de Estado e de Governo dos 193 Países-Membros das Nações Unidas estão reunidos na sede da Organização, em Nova York, durante o debate geral anual da Assembleia Geral da ONU a partir desta quarta-feira, 21 de setembro. Como é tradição desde a primeira Assembleia Geral, que aconteceu em 1946, o Brasil abrirá o debate geral, que este ano terá como tema “O papel da mediação na solução de disputas por meios pacíficos”.

Três reuniões de alto nível também acontecerão na Sede da ONU em Nova York para marcar o início da 66ª Sessão da Assembleia Geral que encerra no dia 22 de setembro, com a presença dos Chefes de Estado e de Governo.
A primeira reunião de alto nível foi nos dois primeiros dias e tratou sobre a prevenção e o controle de doenças não transmissíveis em todo o mundo, especialmente dos desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento.

A segunda reunião de alto nível teve como foco a desertificação, a degradação do solo e a seca no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, como preparação para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), agendada para junho de 2012. Na ocasião o líder indígena Almir Suruí, falou sobre a pressão sobre as terras indígenas e os impactos da construção de hidrelétricas na Amazônia sobre os íindios isolados. "Em Rondônia nós temos um exemplo desse  impacto com a construção da Usina de Santo Antônio que atinge uma área onde temos regtistros de índios isolados", destacou Almir Suruí durante a reunião na ONU.

A terceira reunião de alto nível da Assembleia será realizada na quinta-feira, 22 de setembro, e vai celebrar o 10º aniversário da Declaração e do Programa de Ação de Durban – o projeto da comunidade internacional para ação na luta contra o racismo.

Discurso na íntegra do líder indígena Almir Suruí na ONU

Os povos indígenas da Amazônia estão ameaçados

Almir Narayamoga Surui – Assessor indígena das Associações de Defesa Etnoambiental Kanindé e Metareillá

Os povos indígenas da Amazônia sofrem constantes ameaças as suas vidas e a seus territórios.

O desmatamento ilegal, provocado por madeireiros, fazendeiros, grileiros e garimpeiros nas terras indígenas, derrubam a  floresta, matam os pássaros, pois destroem os seus ninhos, matam os animais que vivem dos frutos da mata, e ameaçam os indígenas que vivem e dependem da floresta.

Meu povo Paiter Surui é uma prova do que digo, pois vem sofrendo pela ação ilegal de madeireiros, que roubam nossas florestas e ameaçam de morte nossas lideranças.

A ação destes invasores sobre as terras indígenas expulsam nosso povo de seus territórios e colocam nossa vida
em perigo.

Qualquer indígena que se coloca contra esse modelo que só beneficia quem destroem a natureza, é ameaçado de morte, é discriminado, é caluniado e sofre ameaças de todo o tipo.

As terras indígenas e os povos indígenas no Brasil estão ameaçados pelos grandes empreendimentos proposto pelo PAC – Programa de Aceleramento do Crescimento proposto pelo  Governo Brasileiro.

As grandes hidrelétricas como a de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, no Estado de Rondônia e a de Belo Monte no Rio Xingu, no Estado do Pará, ameaçam a vida dos indígenas que vivem em isolamento voluntário.

O asfaltamento da BR 319 mesmo antes de acontecer já está levando para a região um grande número de pessoas que destroem a floresta causando impactos sobre as terras indígenas.

Os conflitos entre os indígenas e invasores de suas terras tem levado a morte indígenas e não indígenas.

Precisam ser tomadas medidas urgentes que garantam nossa vida e a paz no Brasil.

Não podemos ficar calados diante de tamanha destruição, precisamos que a ONU observe o que esta acontecendo e ajude a proteger a vida dos povos indígenas do Brasil.

Venho aqui pedir que olhem e ajudem a proteger os povos indígenas em especial os que vivem em isolamento voluntário.

Fonte URL: www.kaninde.org.br

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