Ficou para hoje a partir das 13h a votação na Câmara Federal do relatório do deputado Paulo Piau, do PMDB, isso, se o seu texto para o projeto de Código Florestal não for impugnado: o Partido Verde questionou uma irregularidade grave no regimento interno que incapacitam o relator e as suas mudanças no texto, o PT e o PSOL também se posicionaram junto com os Verdes, que podem até entrar na Justiça para anular o texto de Piau, antes mesmo que seja votado. O PMDB está fechado com os ruralistas, o PT se aproximou mais dos ambientalistas, rachando nesta votação a base governamental, mas não é só a Câmara e o Congresso que estão divididos quanto ao polêmico novo Código Florestal.
O próprio Governo trabalha também com a hipótese de adiamento de todo o processo, que seria recomeçado somente no segundo semestre, após a realização no Brasil da Rio+20, a Conferência Mundial da ONU sobre meio ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio de Janeiro: um código "desflorestal" como é ironicamente chamado por lideranças socioambientalistas poderia prejudicar a liderança internacional brasileira no evento da Organização Mundial das Nações. A Presidente Dilma Rousseff parece considerar este risco e também admite vetar o novo código, no total ou em alguns pontos, caso ele anistie desmatadores ou venha a colocar em perigo maior os recursos naturais.
Há quase 13 anos sendo discutido no país, o debate sobre um novo Código Florestal aumentou nos últimos dois anos e o consenso no Congresso está difícil, a dificuldade não é apenas política, é algo mais complexo. Ele divide o interesse dos ruralistas, em especial, grandes produtores do agronegócio e os ambientalistas, que tem considerado as versões atuais do Código Florestal como um retrocesso. Potencialmente, esta legislação poderá marcar no Brasil o início de um Desenvolvimento Sustentável, isso, se com bom senso forem ouvidos além de produtores rurais, os lideres de cidadania, cientistas e ecologistas, e aí se conseguindo um consenso no Congresso e na Nação, através de um código ambiental que equilibre um aumento da economia rural e a proteção da última ecologia do Brasil.
Isso sim seria um avanço fora do comum, marcando positivamente na história esta legislatura e o Governo Dilma, dando base para mudanças na realidade atual e para a criação do futuro.
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| Anistia a desmatadores e ameaça aos recursos naturais fazem parte da polêmica |
Fonte URL: http://www.folha.com/

