A Sociobiodiversidade, talvez um conceito ainda pouco conhecido da maior parte da população, é um dos grandes diferenciais do Brasil e será, com certeza, um tema relevante no cenário da Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O que distingue a “Biodiversidade”, tema internacional, da “Sociobiodiversidade” brasileira é a inclusão da diversidade social e cultural na equação.
Em 2007, representantes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), Desenvolvimento Agrário (MDA) e Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) se reuniram com outros parceiros do governo e também com a sociedade civil a fim de elaborar um plano para organizar as cadeias de produtos da Sociobiodiversidade. O principal objetivo era “desenvolver ações integradas para a promoção e fortalecimento das cadeias, com agregação de valor e consolidação de mercados sustentáveis”. Muito foi feito entre 2007 e 2009, ano em que foi publicado o Plano Nacional da Sociobiodiversidade (PNSB) e desde então várias iniciativas vem sendo promovidas.
Não faltam exemplos de resultados de geração de renda e inserção social decorrentes deste Plano: desde cadeias de valor já existentes e consolidadas, como é o caso da Castanha-do-Brasil, até aquelas ainda em desenvolvimento, como a da Borracha-FDL, formada a partir da união de um grupo de doze organizações. Em 2010, foram beneficiadas 500 mil famílias extrativistas, significando um mercado de 60 milhões de Euros. O potencial de negócios efetivamente sustentáveis é imenso.
Porém, se as oportunidades e alcance do PNSB se multiplicam quando somamos social+biodiversidade, os desafios também aumentam. Pelo lado social, ainda é necessário afirmar a identidade e a visibilidade deste público. Pelo lado ambiental, é preciso ter definida uma política de pagamentos de serviços ambientais, REED, de combate ao desmatamento e mudanças climáticas.
As sinergias positivas vêm crescendo, é inegável, e o desafio de implementar novas cadeias de valor é belo e sedutor. Os biomas brasileiros, embora castigados, ainda representam uma biodiversidade ímpar no planeta. O País dispõe de um conhecimento tradicional subavaliado que finalmente começa a ser reconhecido.
A Rio+20 oferece o “momentum” para valorizar e valorar a Sociobiodiversidade brasileira. É uma oportunidade para divulgar e promover informações sobre as cadeias de produtos e serviços, além de fortalecer os elos desta corrente de valor.
O debate “Sociobiodiversidade e Economia Verde”, que ocorrerá em evento paralelo à Rio+20, irá levantar estas e outras questões. Também em evento paralelo, no dia 20 de junho, será lançada a publicação “Governança de Cadeias de Valor de Produtos da Sociobiodiversidade”, na qual está destacado que “o primeiro elo das cadeias de produtos da sociobiodiversidade são os Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares, que possuem seu modo de vida e que necessitam ser respeitados e compreendidos pelos demais elos da cadeia”.
Fonte URL: www.planetaorganico.com.br
