Indígenas denunciam o transporte de doentes que estão alojados na Casa de Saúde Indígena (Casai) de Rondônia. Segundo os índios, eles não estavam conseguindo chegar à hospitais e clínicas por falta de transporte adequado. Um dos motoristas da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), José Carlos Luiz dos Santos, conta que o problema é comum e que há seis meses vem se agravando.
"Nós temos três carros na Sesai para transportar os indígenas para atendimento de saúde, e os três estão quebrados. O único que ainda presta é uma ambulância velha em que estamos tendo que carregar até 12 pessoas que necessitam de cuidados médicos", relata.
O índio José Américo Tenharin, da etnia tenharin, mora em Humaitá, AM, e veio a Porto Velho trazer a filha para uma consulta médica. "Ficamos dependendo da boa vontade das pessoas. Isso nao é certo. Existe recurso destinado a resolver estes problemas para nós indígenas, só que eles não estão sendo solucionados", reclama.
A van em que José Américo estava com as duas filhas, a esposa e outros sete índios de Alta Floresta e Guajará-Mirim (municípios de Rondônia) e Humaitá das etnias wrudão, tupari e karitiana quebrou no Trevo do Roque, em Porto Velho, na manhã de terça-feira (30). "Por causa disso, todo mundo atrasou e agora eu nem sei se a minha filha vai conseguir ser atendida no médico", disse José.
Ambulância é utilizada para transportar até 12 indígenas de uma vez (Foto: Larissa Matarésio/G1)
Também de Humaitá, Simião Tenharin, trouxe o filho machucado à capital e conta que já teve que utilizar a ambulância lotada para chegar ao hospital. "Essa situação acontece quase todos os dias. O pessoal alega que é falta de recurso, mas motorista eles têm, só falta o carro. A gente chega aqui, fica largado na rodoviária esperando", diz.
Procurados pelo G1 para falar sobre o assunto, a diretoria da Casai não quis dar entrevistas e retirou a equipe de reportagem do local. O Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), a quem a Casai se reporta, também não quis falar sobre o assunto.
