Entre os dias 12 e 15 de julho, o Centro de Cultura e Formação Kanindé, em Porto Velho, recebeu a Formação de Comunicadores da Amazônia Indígena Kawahiva. O encontro reuniu comunicadores indígenas dos povos Tenharim, Jiahui e Parintintin, dos territórios indígenas Tenharim Marmelos, Jiahui, Nove de Janeiro e Ipixuna, no sul do Amazonas.
Promovida pela Kanindé, por meio dos projetos Amazônia Indígena Kawahiva (AIKA) e IA para Monitoramento da Biodiversidade, a formação teve como objetivo fortalecer a comunicação indígena como ferramenta de defesa dos territórios, valorização cultural e incidência política, aliando conhecimentos ancestrais às novas tecnologias de produção de conteúdo.
A formação recebeu o nome Amazônia Indígena Kawahiva em referência à família linguística compartilhada pelos povos participantes. Tenharim, Jiahui e Parintintin pertencem à família linguística Tupi-Guarani, integrante do tronco linguístico Tupi, e têm a língua Kawahiva como elemento comum de sua identidade cultural. Mais do que uma denominação, o nome da formação reconhece esse vínculo histórico e linguístico entre os povos, fortalecendo uma iniciativa construída a partir das suas próprias realidades, saberes e formas de comunicação.
Para Ideval Rocha, coordenador do Projeto AIKA, investir na formação de comunicadores indígenas é fortalecer a autonomia dos povos na defesa de seus territórios.
Durante quatro dias, os participantes vivenciaram uma programação voltada à produção de conteúdos para diferentes plataformas de comunicação. A formação teve início com uma roda de conversa sobre comunicação indígena como instrumento de resistência, seguida por uma oficina sobre Inteligência Artificial e boas práticas de uso, discutindo potencialidades, limites e formas éticas de utilizar a tecnologia como apoio à comunicação comunitária.
Na sequência, os comunicadores participaram de oficinas práticas de produção audiovisual, aprendendo técnicas de storytelling, captação de imagens e edição de vídeos utilizando apenas o celular. A programação também contou com atividades voltadas à fotografia, estimulando o olhar para os territórios e para as narrativas produzidas a partir das próprias comunidades.
Como parte da programação, o grupo visitou os estúdios da Rede Amazônica e da rádio CBN Amazônia, onde conheceu os bastidores da produção jornalística e dialogou com profissionais da comunicação sobre os processos de produção de conteúdo nos grandes veículos de imprensa.
No último dia, os participantes participaram de uma oficina de artivismo, refletindo sobre o papel das expressões artísticas na mobilização social, na denúncia de violações e na valorização das identidades indígenas. A formação foi encerrada com uma oficina de radiojornalismo, realizada no Laboratório de Rádio da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), com apoio do grupo de pesquisa Barras. Na atividade, os comunicadores vivenciaram todas as etapas da produção em áudio, desde a elaboração de roteiros até a gravação em estúdio.
Mari Jheny Jiahui, jovem liderança do povo Jiahui, participou pela primeira vez de uma formação em comunicação e destacou a importância da experiência:
Além do aprendizado técnico, a formação proporcionou um espaço de troca de experiências entre povos indígenas que compartilham desafios comuns na defesa de seus territórios e na produção de uma comunicação construída a partir de seus próprios olhares e narrativas.
A Formação de Comunicadores da Amazônia Indígena Kawahiva foi realizada com o financiamento da Regnskogsföreningen e do Instituto Clima e Sociedade (iCS).
