Cerca de 20 alunos indígenas terão até o dia 8 de setembro para aprender a proteger, monitorar, detectar atividades ilegais no meio ambiente e, assim, colaborar com a preservação da natureza. Eles participam do curso de Formação Básica de Agentes Ambientais Indígenas do Corredor Etnoambiental Kagawhiwa, que está acontecendo no Centro de Formação e Cultura da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, em Porto Velho (RO). A iniciativa é uma atividade do Consórcio Garah Itxa, financiada pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e Fundações Skoll e Avina, e está sendo organizada pela Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam).
Os alunos indígenas fazem parte das etnias Parintintin, Jiahui, Tenharin e Guarani. Dentre as disciplinas a serem estudadas estão: Equipamentos e materiais para expedições, vigilâncias e monitoramento; Fauna silvestre; Gestão de áreas protegidas e sobreposição em terras indígenas; Resíduos sólidos em terras indígenas; Legislação indígena; Agroflorestais e agroextrativismos; Cartografia; Educação Ambiental e Interpretação Ambiental; Primeiros Socorros; Resgate Noturno; Combate e Manejo do Fogo; Prevenção ao uso indevido de drogas lícitas e Ilícitas; Introdução a GPS; Noções básicas de trânsito em BR e rodovias, entre outros.
De acordo com o coordenador técnico da Ecam, Wesley Pacheco, o curso é uma importante ferramenta para aumentar a proteção das terras indígenas e a implementação dos planos de proteção territorial que algumas aldeias possuem. “Os módulos abordados permitem aos participantes do curso uma visão geral da conservação para contribuir para a minimização dos problemas ambientais locais e a realização de ações de controle e redução dos riscos dos seus territórios”, explica.
A Ecam possui um histórico de sete anos na organização e desenvolvimento de cursos de guarda-parques/agentes ambientais em alguns estados no norte do Brasil, como Amapá e Rondônia, sempre com foco na proteção territorial e no contexto indígena. No total, foram formados mais de 300 alunos indígenas e não indígenas. Para o curso deste ano foi feita uma reformulação no formato, disciplinas, carga horária, entre outros, de forma a atender melhor às necessidades dos indígenas. “As mudanças aconteceram a partir das decisões tomadas no seminário interno que organizamos em abril deste ano, em que fizemos reflexões sobre a metodologia da formação e melhorias para a nossa formação”, avalia Wesley. Além disso, foram convidados representantes e parceiros do movimento indígena que colaboraram com uma nova concepção de trabalho com o objetivo de aumentar a eficiência do aprendizado.
Para Osvaldo Barassi Gajardo, coordenador da Federação Internacional Guarda-Parque (FIG) no Brasil, diante da crítica situação que se encontram os guarda-parques no País com a falta de equipamentos, uniformes, condições de trabalho inadequadas e o esquecimento por parte das autoridades locais, o curso organizado pela Ecam é uma excelente ferramenta para o fortalecimento da categoria. “Sabemos que ainda há muito a fazer, mas o mais importante é que existe força, união e o desejo dos guarda-parques em melhorar, se capacitar e cumprir com boas práticas na gestão das Unidades de Conservação”, explica.
Além da Ecam, fazem parte do Consórcio Garah Itxa as seguintes organizações: Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), Associação Metareilá do Povo Indígena Surui, Conservação Estratégica (CSF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Também apoiam a iniciativa Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam), Faculdade São Lucas e o Batalhão Ambiental.
Sobre o Corredor Etnoambiental Kagawhiwa
O Corredor Etnoambiental Kagawhiwa compreende uma faixa territorial de um milhão e 500 mil hectares, que abrange terras nos estados de Rondônia e Amazonas. Ao todo habitam no local cerca de 1.500 indígenas, que estão divididos nas quatro etnias participantes do curso. Eles estão distribuídos em seis aldeias: Ipixuna, Nove de Janeiro, Piraha, Sepoti, Jiahui e Tenharin Marmelos.
Serviço
Formação Básica de Agentes Ambientais Indígenas do Corredor Etnoambiental Kagawhiwa
Data: 20 de agosto a 8 de setembro
Local: Centro de Formação e Cultura da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
Participantes: cerca de 20 alunos das etnias Parintintin, Jiahui, Tenharin e Guarani
