Florestas Produtivas: Kanindé realiza formação de articuladores indígenas

Entre os dias 21 e 23 de outubro de 2026, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé realizou, em Porto Velho (RO), a Formação de Articuladores Territoriais, iniciativa do projeto Florestas Produtivas: regenerando e cuidando com autonomia. A atividade reuniu sete articuladores indígenas dos povos Jiahui, Parintintin e Juma, do sul do Amazonas, e Karitiana, Karipuna e Jupaú, de Rondônia. 

 

O objetivo da iniciativa foi formar lideranças, jovens e representantes indígenas para fortalecer a autonomia na gestão e no acompanhamento das ações do projeto em cada território. Os participantes atuarão como articuladores entre suas comunidades e a equipe do projeto, acompanhando o desenvolvimento das atividades e contribuindo para sua execução nos territórios. A formação também abordou geotecnologias, comunicação popular, registro territorial e direitos indígenas, fortalecendo o protagonismo das comunidades na conservação e no cuidado com seus territórios. 

 

A formação também proporcionou um espaço de intercâmbio entre os participantes, promovendo a troca de experiências e conhecimentos sobre as realidades, os desafios e as vivências de cada comunidade.

Foto: Ubiratan Suruí / Kanindé

As atividades buscaram ampliar os conhecimentos dos participantes sobre o funcionamento do projeto, ferramentas de comunicação e as questões políticas que atravessam os territórios indígenas. Ao longo dos três dias, a programação foi organizada em três módulos:

 

O primeiro módulo, Apresentação Técnica do Projeto, foi conduzido pela equipe técnica do projeto, com o objetivo de apresentar aos articuladores indígenas sua estrutura, especificidades e formas de atuação nos territórios, além de esclarecer dúvidas e alinhar suas atribuições nas comunidades. A programação também contou com uma visita de campo à Agrotropical Amazônia, conduzida pelo agroflorestor Tino Alves, que compartilhou conhecimentos sobre o funcionamento e o manejo de sistemas agroflorestais, proporcionando aos participantes a oportunidade de conhecer e praticar algumas dessas técnicas.

 

O segundo módulo, Comunicação: Registro e Produção de Conteúdos nos Territórios, teve como principal objetivo fortalecer a habilidade dos próprios povos de registrar e compartilhar suas vivências, histórias e conhecimentos a partir de seus próprios olhares, desta maneira, registrando todo o projeto e suas transformações dentro das comunidades. 

Foto: Ubiratan Suruí / Kanindé

Já o terceiro e último módulo foi a Formação Política: Teoria Política Crítica, Poder e Cidadania Indígena, que promoveu discussões sobre a autonomia nos territórios, o pensamento crítico e a importância de conhecer e reivindicar seus direitos. O momento buscou fortalecer o senso coletivo e o poder de decisão dos povos indígenas, respeitando suas individualidades e reforçando a compreensão de que a resistência e a luta por direitos são construídas coletivamente. 

 

Edjales Benício, Coordenador de Articulação, afirma: 

“Foram realizadas quatro rodas de diálogo, com a perspectiva de discutir políticas públicas, cidadania, direitos, territórios. Ou seja, uma proposta de formação política, que vai ser algo presente em todas as formações da Kanindé.”
Edjales Benício
Coordenador de Articulação

As oficinas fazem parte de um processo contínuo de formação, que busca fortalecer os vínculos com os territórios e ampliar a participação indígena na construção e na divulgação das ações do projeto. Além de desenvolver habilidades técnicas, o processo valoriza os conhecimentos tradicionais e reconhece o protagonismo dos povos indígenas na preservação de seus modos de vida e na defesa de seus territórios. Lei Parintintin, articulador do território Nove de Janeiro, no sul do Amazonas, compartilha:

“Para nós, indígenas, o território é muito mais do que terra: é a nossa vida, é de onde viemos e onde vivem as memórias dos nossos antepassados. A Mãe Terra tem um significado muito profundo, pois é dela que vêm nossos alimentos e nossos medicamentos. Tudo isso tem um valor imenso para nós, que sentimos e respeitamos o espírito da natureza.”
Lei Parintintin
Articulador

A iniciativa tem como foco a recuperação de áreas degradadas, aliando conhecimentos tradicionais e técnicas de restauração ambiental. A iniciativa parte do reconhecimento de que os saberes ancestrais, compartilhados entre gerações, são fundamentais para a construção de caminhos sustentáveis diante dos avanços da devastação ambiental.

 

O projeto, selecionado no Edital 3 do Restaura Amazônia, é executado pela Kanindé em parceria com as associações indígenas dos povos Jiahui, Parintintin e Juma, no sul do Amazonas, e dos povos Karitiana, Karipuna e Jupaú, em Rondônia. A iniciativa é realizada pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), com apoio financeiro do Fundo Amazônia, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

 

Ao investir na formação de articuladores indígenas, o Florestas Produtivas reafirma a importância de fortalecer a autonomia das comunidades, valorizar seus conhecimentos e garantir que suas próprias vozes estejam presentes na construção de um futuro em que a restauração ambiental caminhe junto com os direitos, a cultura e os saberes dos povos indígenas.



Foto: Ingrid Pimenta / Kanindé