Diante das inúmeras ameaças de morte sofridas pelas lideranças Surui, na Terra Indígena Sete de Setembro, feitas por madeireiros e garimpeiros, foi realizada uma reunião solicitada pelo Grupo de Trabalho Amazônico – GTA, na Presidência da República,, na tarde desta quarta-feira, 8/8, para debater uma ação governamental de emergência.
Um grupo de lideranças Surui, localizada no município de Cacoal, estado de Rondônia, relatou a grave situação que estão enfrentando em suas terras.
“Não viemos a Brasília para conhecer a cidade, depois de tentar uma solução em Rondônia e não conseguir, solicitamos essa audiência diante das inúmeras ameaças que estamos sofrendo, com a invasão dos madeireiros para roubar madeiras”, denunciou Arildo Gapamé Surui. “Mais uma vez pedimos o apoio do governo, que precisa agir com a máxima urgência, para evitar as mortes que estão sendo anunciadas”, reafirmou Arildo, que também é o coordenador da Regional do GTA – Rondônia.
Conflito entre os índios
As lideranças alertaram os representantes do governo o risco de ocorrer um conflito entre os povos indígenas. “Os madeireiros atuam cooptando indígenas, sendo que a maioria dos índios aliados aos madeireiros são funcionários públicos da Funal, Seduc e da saúde”, denunciou Ivaneide Cardoso, dirigente da Kaninde Ambiental. Conforme a denúncia apresentada aos representantes do governo, funcionários da Funai apoiam as ações dos madeireiros que invadem as terras indígenas para roubar as madeiras.
As invasões para roubar madeiras são precedidas por um planejamento estratégico dos madeireiros. “Usam informantes indígenas, tem apoio de funcionários púbicos, armas pesadas e montam barreiras para impedir a circulação”. “Usamos nossos recursos naturais para sobreviver, enquanto os madeireiros e garimpeiros invadem e destroem tudo de uma vez”, afirmou João Lawad Surui.
Ameaças de morte constantes
O líder João Lawad Surui relatou as ameaças que ele, seus filhos e até sua esposa tem sofrido por parte dos madeireiros. “Vivemos sendo caçados pelos madeireiros”, afirmou João. Esta situação é a mesma enfrentada por todas as lideranças indígenas.
Almir Surui, cacique Suruí, tem sofrido perseguição constante. “Se o governo não der uma solução imediata esse conflito trará mais problemas que os enfrentados atualmente, colocando em risco a segurança de toda a comunidade. Mesmo com a presença da Força Nacional e da Secretaria de Direitos Humanos os madeireiros não se intimidam”, destacou.
Operação “Defesa da Vida”
A Presidência da República estava representada pelo secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, que disse conhecer a realidade há muito tempo, destacando, porém, que a denúncia apresentada exige uma ação mais forte: “A Presidenta Dilma determinou a criação da operação ‘Defesa da Vida’, realizada com sucesso no passado após o assassinato de lideranças ambientalistas na Amazônia. Com a denúncia apresentada vamos reunir o governo e ver se retomamos esta operação para resguardar as lideranças ameaçadas do povo Surui”. A Operação Defesa da Vida foi lançada em junho de 2011 e atuou em diversos estados da região amazônica, entre os quais Rondônia.
De acordo com o secretário Maldos a ação atuará para garantir a proteção das lideranças indígenas ameaçadas, retirar os madeireiros e garimpeiros invasores, “sem deixar de pensar um plano mais consistente voltado para garantir a sustentabilidade de todos os setores envolvidos”, afirmou.
Ações da Polícia Federal
O Delegado da Polícia Federal Antônio Carlos Moriel informou, durante a reunião, que a Polícia Federal está realizando, desde a terça-feira, 7/8, uma operação nas Terras Indígenas Cinta Larga e Surui para combater a extração de madeira, dentro da operação Arco de Fogo.
Prazo oferecido pelo governo para agir
Os representantes do governo se comprometeram em dar uma resposta precisa sobre as ações que serão desenvolvidas, integradas pela Presidência da República, Ministério da Justiça, através do DPF e Guarda Nacional, a Funai e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, até o próximo dia 14 de agosto.
Cobrança de uma solução imediata
O GTA, representado na reunião por seu presidente, Rubens Gomes, e os integrantes da direção da rede, Almir Surui e Arildo Surui, tem atuado para cobrar do governo uma solução imediata e permanente do problema que se arrasta, apesar de tantas denúncias. “É preciso que a ação do governo seja urgente e firme, a situação está muito grave e não queremos perder mais nenhuma liderança assassinada”, afirmou Rubens Gomes.
Participaram da reunião os representantes do povo Surui, Almir Narayamoga Surui, Arildo Gapamé Surui, João Lawad Surui, Jose Itabira Surui, Celso Natin Surui, Naraymi Surui, Chicoepab Surui, Ivaneide Bandeira Cardozo e Luiza Viana; o presidente do GTA, Rubens Gomes e, representando a Presidência da República, Paulo Maldos, Thiago Garcia, Fernando Santos Matos e Igo Martini, além do Delegado da Polícia Federal, Antônio Carlos Moriel.
Fonte: GTA
Fonte URL: http://www.gta.org.br/newspost/liderancas-do-povo-surui-e-gta-exigem-acao-imediata-do-governo-brasileiro/
