Entre os dias 02 e 04 de dezembro, o Centro de Cultura e Formação Kanindé, em Porto Velho, recebeu a oficina de Boas Práticas de Manejo da Seringueira e da Produção da Borracha em Rondônia. O evento foi organizado pela Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico das comunidades extrativistas no estado, fortalecendo aquelas que já trabalham com a borracha e incentivando a entrada de comunidades que ainda não atuam na atividade.
A oficina foi conduzida por profissionais de Guajará-Mirim e Machadinho do Oeste. A programação incluiu atividades práticas de sangria das seringueiras, realizadas no próprio Centro de Cultura e Formação da Kanindé, um espaço situado em meio à Floresta Amazônica e que abriga diversas seringueiras nativas. Nesse ambiente de aprendizado e troca de conhecimentos, os participantes puderam vivenciar a extração do látex diretamente na floresta, fortalecendo a conexão entre teoria, prática e os saberes que historicamente sustentam o manejo da borracha na região, aliados com as inovações técnicas na área.
Edjales Benício, gestor ambiental, técnico da Associação Kanindé e membro da OSR, explica: “A oficina teve como objetivo fortalecer e reativar a cadeia da borracha aqui em Porto Velho. Reservas Extrativistas, como o Lago do Cuniã e Jaci-Paraná, e as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Bom Jardim e Rio Machado, passaram décadas sem trabalhar com a seringa e agora retomam essa atividade em razão da valorização da borracha nativa. A ideia é que, a partir do próximo ano, esses territórios voltem a produzir e consolidar novamente essa cadeia tradicional da nossa região.”
Lincoln, morador da Resex Jaci-Paraná, destaca que as boas práticas são fundamentais para garantir a qualidade da borracha e a preservação das seringueiras, que antes eram cortadas de maneira errada, o que levava à morte ou ao ressecamento das árvores. Segundo ele, a oficina agregou conhecimento e reforçou a importância de preservar as espécies. “Aprendemos a fazer o corte mais preciso, a dar o tempo de descanso para a árvore e a realizar a prensa da forma correta, agregando valor à borracha”, afirma.
A retomada do manejo da borracha também revelou mudanças importantes dentro das próprias comunidades. A participação feminina ganhou destaque ao longo do curso, evidenciando o protagonismo das mulheres tanto nas atividades extrativistas quanto na transmissão de conhecimentos tradicionais. Elas já atuam diretamente no manejo da floresta e na organização comunitária, reforçando a necessidade de reconhecer e valorizar sua presença em todas as etapas da cadeia da borracha.
Ao retomar o manejo da borracha nativa, as comunidades tradicionais reafirmam seu compromisso histórico com a proteção e o cuidado dos territórios amazônicos. A atividade extrativista, pautada pelo uso sustentável dos recursos, fortalece uma economia que nasce da floresta e permanece conectada aos modos de vida locais. Assim, a produção da borracha não representa apenas uma fonte de renda, mas também uma estratégia de resistência e permanência, reconhecendo que a defesa do território se faz também com a preservação cultural e ambiental da região.
Participaram da oficina representantes das reservas extrativistas do Lago do Cuniã e de Jaci-Paraná, além de representantes das reservas de desenvolvimento sustentável Bom Jardim e Rio Machado. Além disso, o encontro contou com o apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos, Secretária Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura de Porto Velho, Associação dos Seringueiros de Machadinho do Oeste e Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.
