Com o objetivo de fortalecer a sustentabilidade financeira e ampliar a autonomia das organizações indígenas, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé realizou, na última semana, uma oficina de captação de recursos com a participação do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia (MJIR), da Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR) e representantes de diferentes povos e associações indígenas do estado.
Durante quatro dias de formação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre os fundamentos da captação de recursos, realizaram diagnósticos institucionais, discutiram estratégias para diversificação de fontes de financiamento e desenvolveram, de forma colaborativa, planos de ação voltados ao fortalecimento de suas organizações.
A formação foi conduzida pela consultora Wal Flor, da Flowers, organização que atua há mais de 20 anos com soluções criativas e inovadoras nas áreas social, ambiental e cultural. Segundo ela, a metodologia priorizou a construção coletiva e respondeu às demandas apresentadas pelos próprios participantes.
Além da parte teórica, a oficina teve um caráter prático. Os participantes foram divididos em grupos e elaboraram quatro projetos durante a formação, utilizando inclusive ferramentas de inteligência artificial para apoiar o aprimoramento das propostas.
Para Elda Jiahui, coordenadora da Associação do Povo Jiahui (APIJ), o conhecimento adquirido representa uma oportunidade para que as próprias lideranças desenvolvam projetos voltados às necessidades de seus territórios.
A coordenadora do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia (MJIR), Kin Suruí, ressalta que a formação fortalece diretamente a atuação das organizações indígenas.
Para Jefferson Tupari Makurap, da Aldeia Ricardo Franco, no Território Rio Guaporé, um dos principais desafios enfrentados pelas associações é justamente compreender os processos relacionados à elaboração de projetos e à busca por financiamentos.
Além da construção de um plano estratégico de captação de recursos, a oficina também fortaleceu a articulação entre as organizações participantes, promovendo a troca de experiências, o compartilhamento de desafios e a construção coletiva de soluções para garantir a continuidade e a expansão das ações em defesa dos povos indígenas, de seus territórios e da Amazônia.
