Em todo o Brasil, organizações da sociedade civil, antropólogos e ambientalistas se mobilizam em atividades da Semana Nacional de Mobilização Indígena, articulação contra propostas que ameaçam direitos dos povos tradicionais do país – como a alteração na titulação de terras indígenas, uma das bandeiras defendidas pela Bancada Ruralista no Congresso Nacional. Mas existe relação entre degradação ambiental e direitos indígenas?
Nos mapas da organização Instituto Socioambiental (ISA) é possível entender os motivos da ofensiva em prol de mudanças na demarcação de terras e observar claramente a relação entre as áreas demarcadas e a preservação de florestas. Nas imagens abaixo, fica nítido como as Terras Indígenas (em laranja), ajudam a frear o desmatamento na Amazônia (os pontos vermelhos nos mapas abaixo).
E não é só nas Terras Indígenas que a relação entre presença de indígenas e preservação se dá. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), município com maior população indígena do país, por exemplo, as infrações ambientais registradas no sistema oficial do Ibama são poucas. A cidade que concentra 29.017 indígenas (76,5% de uma população de 37.896 habitantes*) tem apenas quatro ocorrências na lista de autuações e embargos do sistema do Governo Federal, sendo dois deles por atividades relacionadas a garimpos e extrações minerais ilegais. Clique aqui para consultar a lista de embargos do Ibama.
Em comparação com outros municípios da Amazônia de área parecida localizados em zonas com alto índice de degradação ambiental, como São Félix do Xingu (PA), a proporção de infrações ambientais é bem menor. Enquanto em São Gabriel da Cachoeira foram 4 embargos em uma área de 109.183,434 km², em São Félix, foram 447 em uma área de 84.213,284 km². Clique aqui para ver os municípios com mais embargos ambientais registrados.
* Conforme dados do Censo 2010, levantamento populacional recente mais completo disponível. A Pnad, que é baseada em amostragem com menor espectro, estima que a população em 2013 da cidade é de 41.575.
** A partir desta semana, ((o)) eco Data Cidades passa a se chamar apenas ((o)) eco Data e a tratar de temas gerais relacionados ao meio ambiente, e não apenas sobre cidades. A preocupação em trabalhar com dados e infografafias continua, agora com um escopo maior.
